O Conceito de Gratidão

Os comentários apresentados a seguir são fruto das minhas recentes leituras e pesquisas e baseadas, em grande medida, no trabalho pioneiro de Robert A. Emmons (Universidade da Califórnia, Davis), em colaboração com Michael McCullough (Universidade de Miami), no campo da Psicologia Positiva, sobre o tema da Gratidão.

Desde que tive minha atenção novamente despertada por esse assunto, conforme publiquei em meu outro Blog “Dieta de Notícias“, iniciei a leitura de “Psychology of Gratitude”, “Thanks! – How Practicing Gratitude Can Make You Happier” e “Words of Gratitude”, encomendados e recebidos pelo correio neste início de janeiro de 2013.

A conceituação apresentada abaixo é uma tradução livre de trechos de “Thanks! – How Practicing Gratitude Can Make You Happier”, em seu Capítulo 1 – The New Science of Gratitude, nos tópicos What Gratitude is e Gratitude is Recognizing and Acknowledging.

Quando sou grato, eu percebo que recebi uma dádiva, reconheço o valor desse presente e aprecio as intenções do doador. E o benefício, presente ou ganho pessoal pode ser material ou não (emocional ou espiritual). Esse é o nosso senso comum.

Entretanto, de uma perspectiva científica, a gratidão é desafiadora e de difícil classificação e definição. Pode ser entendida de várias maneiras: como uma atitude, uma emoção, uma virtude moral, um hábito, uma motivação, um traço de personalidade, uma reação e até mesmo um modo de vida.

Segundo Robert A. Emmons, gratidão é, literalmente, uma das poucas coisas que pode mudar a vida das pessoas de maneira mensurável. Em suas reflexões, sugere uma concepção em termos de dois estágios:

1) A gratidão é a percepção (acknowledgement) de benefícios, da existência de coisas boas e valiosas em nossas vidas. De que a vida é boa e tem elementos que fazem com que valha a pena vivê-la.
2) A gratidão é reconhecer (recognizing) que a fonte desses benefícios está, pelo menos parcialmente, fora de nós mesmos. O objeto da gratidão é externamente direcionado (other-directed). Os agradecimentos são direcionados para o doador dos benefícios.

A partir dessa perspectiva, a gratidão é mais que um sentimento. Ela requer uma disposição para reconhecer que:

a) somos o beneficiário da gentileza de alguém;
b) o benfeitor teve a intenção de oferecer o benefício, frequentemente incorrendo em algum custo pessoal; e
c) o benefício tem valor aos nossos olhos (do beneficiário).

A gratidão implica em humildade – o reconhecimento de que não poderíamos ser quem somos ou estar onde estamos na vida sem a contribuição de outras pessoas. Ser grato é um reconhecimento de que há coisas boas e gratificantes no mundo.

O Agradecimento pertence ao domínio do Pensamento. Tanto no idioma alemão como em inglês, essas duas palavras provêm de raizes etimológicamente comuns. Como dizia o filósofo Martin Heidegger “Denken ist Danken” ou “Thinking is Thanking” ou “Pensar é Agradecer”. Não podemos ser gratos sem sermos pensativos, sem prestar atenção. Essa é a razão pela qual a gratidão requer contemplação e reflexão.

Sou grato por isso!

Eduardo Leal

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s